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"Escuela del Sur" |
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O nome "Escuela del Sur", que o mestre assentou no seu livro Universalismo construtivo de 1941, abrange todo o legado artístico de Torres-García; isto é, tanto sua própria obra construtivista quanto a enorme produção dos seus alunos: os que receberam suas liçoes de primeira mão e os seguidores dos seus preceitos sem tê-lo conhecido pessoalmente. Esse nome, cujo correlato
gráfico -verdadeiro símbolo- é o famoso desenho do
mapa invertido da América do Sul, tem sido usado à maneira
de terminologia formal, no âmbito acadêmico e/ou no exterior.
Os alunos sempre fizeram referência à escola construtivista
como "Oficina Torres", expressão mais familiar que ainda
é usada no Uruguai. O passo seguinte foi conseguir um suporte 'institucional', uma mínima infra-estrutura para centralizar e organizar a difusão do Universalismo Construtivo. Assim, em janeiro de 1935 fundou a Associação de Arte Construtiva (AAC) onde participaram prestigiosas personalidades locais e pintores de sólida formação. No entanto, seu enfoque intransigente e sua formação cultural, superior à media dos artistas e intelectuais uruguaios -principalmente no âmbito da arte moderna- provocaram que, após uma recepção calorosa e das primeiras atividades coletivas, Torres ficasse isolado e compreendesse que o alvo de suas idéias necessariamente iam ser os jovens, a quem ele deveria formar. Esse foi, em resumo, o motivo da criação em 1942 da Oficina Torres García ("Taller Torres García" -TTG), iniciando uma nova fase 'institucional'. A partir de então o único objetivo da Associação de Arte Construtiva seria manter uma oficina de ensino de pintura construtivista. Lá, os primeiros alunos foram os amigos dos filhos de Torres e até vizinhos convocados para aprender a pintar: a média de idade do primeira turma de alunos não ultrapassava 20 anos. O próprio Torres, no seu livro A recuperação do objeto, definiu com critério essencialista aquela primeira oficina que depois entraria na História: "... a Oficina é a pintura e mais nada. E a Oficina é construção, e a Oficina é a pintura abstrata, de três dimensoes, naturalista porém não imitativa, e a oficina é a pintura mural, planista, com base nos cinco tons puros, e a Oficina é a pintura pura, elementar [...] e é o grafismo na questão universal [..] tudo isso e mais nada". A Oficina Torres-García foi crescendo progressivamente e aumentando sua influência na cultura uruguaia. As fortes reaçoes contrárias são reveladoras desse avanço. As exposiçoes multiplicaram-se. No inverno de 1944 o grupo construtivista fez sua obra mais transcendente: pintou uma importante série de murais no Hospital Saint- Bois, localizado na periferia de Montevidéu. A partir de 1945 a Oficina publicou sua própria revista -"Removedor"- que, como a oficina, continuou seu trabalho após a morte do mestre em agosto de 1949. Embora a data exata seja um aspecto bastante discutido, a Oficina Torres-García (guiada nessa época por alguns dos mais destacados alunos) encerrou definitivamente suas atividades em 1962. A última publicação oficial da Oficina editou-se em janeiro de 1961: foi o terceiro número da revista "Escuela del Sur" (que teve como antecessora a "Removedor", cujo número 28 final é de julho-agosto de 1953). Nessa época vários dos principais alunos de Torres já tinham abandonado o país para viajar à Europa ou aos Estados Unidos: começava a emigração da "Escuela del Sur" para o Norte... onde, aliás, foram organizadas suas mais importantes exposiçoes retrospetivas nos últimos tempos, como a apresentada no Museu Rainha Sofía de Madri, em 1992. Para finalizar, é
necessário lembrar, entre vários dos artistas que passaram
pela Oficina Torres, os alunos diretos que têm sido mais valorizados
e reconhecidos pela crítica, cujas obras têm conseguido mais
alta cotação no mercado da arte mundial: Francisco Matto
(1911-1996), Augusto Torres (1913-1992), Manuel Pailós (1918),
Julio Alpuy (1919), Gonzalo Fonseca (1922-2000), Horacio Torres (1924-1974)
e José Gurvich (1927-1974). Embora o futuro possa com certeza,
nos trazer outras descobertas. EDUARDO
ROLAND |